Uma flor presa é mais fácil de conservar do que um cartão impresso. Em Spokane, no estado de Washington, em 1910, alguns dos homens sentados nos bancos da Central Methodist Episcopal Church usavam uma rosa vermelha. Outros usavam uma branca. A cor dizia algo que ninguém precisava de perguntar em voz alta: vermelha, para um pai ainda vivo; branca, para um pai que tinha morrido. Era um gesto pequeno, barato e simples, e é o pormenor que a maioria dos relatos sobre o Dia do Pai menciona apenas de passagem, quando o menciona.
A rosa escolhida por Sonora Smart Dodd

Sonora Smart Dodd propôs a data em 1909, pouco depois de ouvir um sermão em louvor das mães. Pensou no próprio pai, William Jackson Smart, um veterano da Guerra Civil que enviuvara duas vezes. Depois de a segunda mulher morrer, em 1898, criou sozinho os seis filhos que ainda viviam em casa. Dodd queria um dia dedicado a ele e a homens como ele, e pediu que fosse celebrado no dia do seu aniversário, 5 de junho. A Spokane Ministerial Alliance transferiu-o para o terceiro domingo do mês, e a primeira celebração teve lugar a 19 de junho de 1910.
A rosa é geralmente atribuída à própria Dodd: uma vermelha, usada em homenagem a um pai vivo; uma branca, a um pai que tinha morrido. Alguns relatos dizem que foi ela quem introduziu diretamente o costume; outros sugerem que já era um hábito paroquial mais discreto, que simplesmente adotou e associou à data. O pormenor exato é menos certo do que a tradição que se lhe seguiu. De qualquer modo, não custava nada e não exigia do portador mais do que um momento de reflexão antes de sair de casa — algo que vale a pena preservar, porque a maior parte do que entretanto cresceu à volta da data custou bastante mais.
O memorial que ninguém tencionava repetir

Spokane não foi, na verdade, a primeira ocasião em que igrejas americanas se reuniram para pensar nos pais. A 5 de julho de 1908, uma congregação de Fairmont, na Virgínia Ocidental, realizou um serviço memorial pelos homens mortos na catástrofe mineira de Monongah, ocorrida a 6 de dezembro de 1907, uma das piores da história mineira dos Estados Unidos. O número exato de vítimas nunca foi estabelecido com certeza: os registos dos mineiros imigrantes e contratados, que constituíam grande parte da mão de obra, eram deficientes, e os historiadores citam atualmente números que vão de uma estimativa de 350 a mais de 500 mortos. O serviço é geralmente atribuído a Grace Golden Clayton, cujo próprio pai tinha morrido num acidente mineiro anterior, embora os registos que sobreviveram sobre quem o organizou exatamente, e de que forma, sejam menos claros do que a história arrumada que tantas vezes se conta.
Foi um único serviço, nascido de uma única dor, e ninguém tencionava na altura repeti-lo no ano seguinte. É frequentemente incluído na história do Dia do Pai como uma espécie de falso começo, embora nunca tenha sido pensado como começo algum. É, antes, um lembrete de que o impulso de assinalar publicamente a paternidade não começou com a ideia de uma só mulher, ainda que tenha sido a dela que criou raízes e se espalhou.
De uma proclamação a um feriado nacional
Durante décadas depois de 1910, o Dia do Pai existiu como tantas vezes existe um bom hábito local: celebrado em alguns lugares, não oficial em todo o lado e dependente de quem tivesse vontade suficiente para o manter. Sonora Smart Dodd ainda estava viva quando isso mudou. O presidente Lyndon B. Johnson emitiu uma proclamação que reconhecia a data em 1966, e o presidente Richard Nixon assinou-a como lei federal permanente em 1972. Dodd morreu em 1978, aos noventa e seis anos, e está sepultada no Greenwood Memorial Terrace, em Spokane, perto da igreja onde a ideia começou. Em 2026, o Dia do Pai nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Canadá será celebrado no domingo, 21 de junho, o terceiro domingo do mês, exatamente como a Ministerial Alliance decidiu tantos anos antes.
Pais homenageados em datas completamente diferentes
A data americana não é a única, nem sequer foi a primeira. Em Itália, Espanha e Portugal, os pais são há muito homenageados a 19 de março, dia de São José, uma tradição que antecede consideravelmente a celebração de Spokane. A data tem aí um significado próprio, associado a José enquanto figura de uma paternidade discreta e constante, e não a qualquer campanha do século XX. A Alemanha segue um calendário ainda diferente: o Vatertag ocorre no Dia da Ascensão, a quinta-feira quarenta dias depois da Páscoa, normalmente em maio e não em junho, e é assinalado à sua maneira, muitas vezes com grupos de homens a caminhar ou a reunir-se ao ar livre.
Nenhuma destas tradições foi simplesmente copiada de outra. Cresceram no seu próprio terreno, nas suas próprias datas e por razões próprias, e colocá-las lado a lado faz algo que a história única da origem americana não consegue: mostra que o desejo de reservar um dia para um pai não é invenção de uma só nação, por mais fácil que seja contar essa história de forma arrumada.
Uma prática em vez de uma compra

O que me fica da rosa é o pouco que ela exigia. Segundo a maioria dos relatos, não era um presente comprado à pressa antes de um prazo, mas apenas uma decisão tomada nessa manhã, usada discretamente e vista por quem por acaso reparasse. Uma prática com esse espírito não precisa de envolver muito mais do que uma pergunta, feita como deve ser e guardada depois, em vez de deixada passar. Algo sobre o próprio pai, sobre o seu trabalho ou sobre um ano de que raramente fala. Perguntar é tudo; guardar é o que transforma a pergunta em algo mais do que conversa.
Há quem guarde uma pergunta assim como guarda tudo aquilo a que pretende voltar, em vez de dar por encerrado de uma vez e arquivar. Uma mala, o fio de contas mais usado para contar repetições de um mantra, serve igualmente bem para contar algo mais simples: uma conta movida cada vez que a pergunta volta a ser feita, sem um número fixo em que a contagem tenha de parar. Não se lembra por si de nada. Apenas assinala que houve um regresso à pergunta e que se espera outro.
Essa marca exige mais do hábito do que aquela manhã de Dodd alguma vez exigiu, mas a estrutura subjacente é a mesma: algo suficientemente pequeno para levar consigo, que impede que um pai — e a pergunta que lhe foi feita — seja deixado para trás.


